sábado, 12 de maio de 2012

LIÇÃO DE VIDA DE DONA CANÔ NARRADA PELO DIALÉTICO CHICO DE AGUIAR.



Canozinha, que eu tive o prazer de conhecer - ainda com Seu Zezinho, o marido que faleceu há mais de 20 anos - na casa do filho Roberto Bob Veloso, em São Paulo, é uma personalidade fantástica que influenciou os filhos para a arte. Nas vezes em que conversamos pude perceber o quanto ela conhece de música, cantando afinadíssima e falando de compositores pouco badalados mas talentosíssimos como Pedro Caetano, Alcir Pires Vermelho ou Monsueto Menezes. Me lembro dela cantando Cosme e Damião, a valsa de Roberto Martins e
Ari Monteiro. Chico.

Receita de Dona Canô
Dona Canô, uma senhora de 104 anos, miúda, e tão elegante, que todo dia às 08 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão.

- Ah, eu adoro esse sol!
- Dona Canô, a senhora ainda nem viu se o dia ... Espera um pouco...

- Isto não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do dia depende de como eu olho e agradeço a oportunidade de ver a claridade de um novo dia... e preparo minha expectativa. E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo.
Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem...
Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.

- Simples assim?

- Nem tanto; isto é para quem tem autocontrole e exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos a fora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em consequência, os sentimentos.

Calmamente ela continuou:

- Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidades na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica..

Depois me pediu para anotar:


Aprecie mais as pequenas coisas
Tome cuidado com a sua saúde:
Não faça viagens de culpa.. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente,
mas NÃO para onde haja culpa

Homenagem as Mães



POEMA DE MÁRIO GALVÃO (EM MAIO DE 1970)


DIA DAS MÃES

CERTA HORA É HORA DE DORMIR
DE COMER, DE TRABALHAR.
CERTO DIA É DIA DE DAR PRESENTES
DE PÔR MÁSCARA E SAIR À RUA,
DE RECORDAR OS MORTOS
DE HOMENAGEAR O PROFESSOR
O SOLDADO, O COMERCIÁRIO.
CERTA ÉPOCA É ÉPOCA DE SOLTAR FOGOS,
DE IR À PRAIA...
DE AULAS, DE FESTAS.
MÃE NÃO TEM HORA
NEM DIA
NEM ÉPOCA
MÃE É SEMPRE.
HAVERÁ ALGO MAIS
QUE SEJA SEMPRE?

sexta-feira, 11 de maio de 2012

CARTA A UMA AMIGA QUE ACABA DE PARTIR



DE TALITA BATISTA PARA ROSA MUNIZ


Um Último Encontro com Rosa Muniz
 Hoje, 08/05/2012, às 6 horas da manhã, tenho com você, Rosa, meu último encontro. Você vem até aqui, trazida por alguns funcionários, e ficamos, por alguns momentos, sozinhas.
Local? O   mesmo que todos os nossos queridos guerreiros, por aqui passaram e se foram, deixando em mim, como você vai deixar, um  grande vazio.
Onde está toda aquela alegria e agitação dos tempos idos? A alegria do encontro dá lugar ao aperto na garganta e à certeza de que o teatro da vida perdeu uma grande protagonista.
Quero ter forças para te encontrar, cantando e celebrando a vida, como sempre foi de seu gosto, nos nossos encontros. Alcione vem ao meu socorro, nesse momento difícil para nós duas, ao interpretar a melodia e letra de Edson Conceição e Aloísio,”Não Deixe o Samba Morrer”.
“Quando eu não puder pisar mais na avenida;
Quando as minhas pernas não puderem agüentar;
Levar meu corpo, junto de meu samba,
O meu anel de bamba,
Entrego a quem mereça usar.”
 E quem merecerá ficar com seu anel de “bamba”, minha amiga?
Vem na frente, irradiante, em primeiríssimo lugar, com sua indescritível garra e a certeza de que o Sol nasce todos os dias, a sua tão querida cunhada Conceição Muniz. Com ela, merecidamente, fica o anel da sabedoria, do brilho, da luz, do discernimento, da compreensão, da harmonia e da paz, que tanto precisamos.
No percurso desses 83 anos, de sua rica existência, Rosa, você foi conquistando muitos anéis de “bamba”. E todos, que te conheceram bem, podem testemunhar esse fato:
Anel de grande e fiel esposa e companheira que foi para o José Jorge, meu grande amigo-irmão.
Anel de dedicada mãe para Maria Tereza e Jorge Guilherme. Anel de amorosa avó, para a pequena Duda, para seus netos  Sérgio Augusto, José Jorge e Jovanna e seu bisneto Gabriel.
Você conquistou até um anel muito raro, difícil mesmo de se conquistar, pelo estigma cultural, trazido pelos tempos, o anel de muito querida sogra: de seu muito amado genro Sérgio Augusto e de sua delicada e linda nora, Carla.
E não terá porta-jóia que caiba todos os anéis de apoio e dedicação aos sobrinhos, aos afilhados, aos vizinhos e a todos os amigos que você foi agregando, no percurso de sua vida.
Para mim, minha grande e fiel amiga, gostaria de poder herdar o anel de suas grandes e fiéis amizades, destacadamente o da Vânia (carioca) e o da Acenyr Botticelli, essa já minha antiga amiga e companheira de luta, também tão queridas por você.
Mas o maior e o mais valoroso anel que conquistou, minha amiga, foi o de ter tido a oportunidade de pertencer e conviver, de modo tão lindo, com a família Costa Muniz. Todos os componentes dessa família, sem exceção alguma, incluindo os tão queridos que se foram, merecem ostentar os anéis mais nobres, por serem as pessoas mais dignas, mais dóceis, mais bonitas e humanas que conheci.
No entanto, o anel dessa família, com o seu consentimento e o consentimento do Fernando, já foi dado a mim, por meu grande amigo José Jorge, e eu o guardo bem guardadinho, no meu coração, para ser herdado por meus filhos, meus netos e toda minha geração, daqui pra frente.
Deixe o anel da alegria e garra pela vida com seus filhos, netos e todos oos seus amigos, Rosa, porque vamos precisar muito dele, agora, sem você entre nós.
E vá com Deus, minha amiga. Ele te conduzirá para mais perto Dele, junto dos quantos nossos estão lá, esperando por você, agora. Um beijo e que Deus te abençoe.
Até lá,








quarta-feira, 9 de maio de 2012

BOLERO


SEM

     SOL
     CÉU
     SAL
     SUL
     SER
     SEU
     CIO.

PERDIDO

Silvio Galvão  de Queiros - Nasceu em Campos em 12 de novembro de 1953- Graduou-se em História em 1979 na UFF, professor e Mestre em História Medieval na Universidade Federal do Oeste do Estado do Parána - ( UNIOESTE). Falecido em 14/09/1997.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

FOLÍCULOS




 PLANTEI MUITAS SEMENTES E VÍ SURGIR MUITAS FOLHAS , FLORES E FRUTOS  NAS ÁRVORES.
 DESENHO FOLÍCULOS PARA UMA HOMENAGEM ÀS FOLHAS DESSAS ÁRVORES.
MAS AS "SEMENTES" PODEM  SUBSTITUIR OS "ALUNOS" PARA OS  QUAIS  ENSINEI  A  FÍSICA/MATEMÁTICA E TIVE A ESPERANÇA QUE "ÁRVORES"--->SUAS PROFISSÕES BEM ESCOLHIDAS - VIVESSEM MAIS DO QUE MEU TERRESTRE CORPO.
FOI O QUE SONHEI, ESCREVÍ E DESENHEI.
     
                                                       SÉRGIO ARMANDO

Cotas Raciais - colaboração de Eusébio Galvão e Talitas

Um índio, com seu imenso cocar de penas brancas, pretas e encimado por um penacho azul, vestindo uma camisa do Clube de Regatas Vasco da Gama, com a cruz de malta no peito, surgiu no meio do plenário do Supremo Tribunal Federal gritando que queria cotas para índios, mestiços, ciganos, caboclos e brancos pobres e foi retirado à força por um segurança “mulato”, de hoje em diante legalmente definido como negro. Não foi preciso muito tempo para sentirmos os efeitos da decisão dos juízes do STF na tarde do dia 26 de abril em julgamento histórico no qual se proclamou a constitucionalidade do sistema de cotas raciais no Brasil.
Nunca havia assistido a um julgamento na nossa Corte Suprema e fui com a intenção de ver, ao vivo, o processo e as formas ritualizadas de decidir sobre uma questão de princípio como esta que seria discutida. O que vi e ouvi foi um desfilar de argumentos a favor da “raça”.
O ministro relator, Ricardo Lewandowski, leu o seu voto que durou mais de uma hora para afirmar peremptoriamente a preponderância da “raça” nas leis como forma de extirpar o racismo. Depois de desfiar muitos nomes de Aristóteles, passando por John Rawls, ao sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, afirmou que o critério étnicoracial era perfeitamente constitucional. O ministro do STF elencou argumentos que se repetem como mantra nos movimentos sociais. O relator confessou até que tinha estado na Índia, o primeiro país a implantar cotas para a proteção dos intocáveis que já duram mais de quarenta anos. Ricardo Lewandowski é professor titular da USP e ficou impressionado com o sistema indiano. Só não contou ao público que nesses quarenta anos não cessaram os conflitos étnicos que, ao contrário, foram exacerbados. Não disse também que lá as cotas acabaram sendo inseridas na Constituição e parece não ter lido muito sobre este processo naquele país.
O ministro relator não foi além de uma visita à Índia e não viu mais do que a superfície da questão e em nome do princípio de realidade, a tal igualdade material por ele acionada, jogou no lixo a realidade dos princípios. Em seu voto, nem de longe mencionou o ponto crucial levantado por muitos contra esta política e que foi expresso pelos juízes da Suprema Corte dos EUA em várias ocasiões, a começar em 1978. Legislar em nome da “raça” e colocá-la na letra da lei com a finalidade de extirpar o racismo tem o efeito de eternizar a separação entre os cidadãos, afirmaram os juízes da Suprema Corte americana. No entendimento do ministro relator, a Suprema Corte americana considerou legal e constitucional a utilização do critério étnico-racial para alocar estudantes nas universidades. Finalmente, ao declarar seu voto lançou a pérola que ficará para a história como a sentença que nos levou a instituir um estado racializado: “… os programas de ação afirmativa tomam como ponto de partida a consciência de raça existente nas sociedades com o escopo final de eliminá-la. Em outras palavras, a finalidade última desses programas é colocar um fim àquilo que foi seu termo inicial, ou seja, o sentimento subjetivo de pertencer a determinada raça ou de sofrer discriminação por integrá-la.” O relator considerou constitucional inclusive o tribunal racial, aquele que escandalizou o Brasil ao afirmar que gêmeos univitelinos eram de cores ou “raças” distintas.
Todos os ministros da nossa Corte maior seguiram o voto do relator.
A separação legal dos cidadãos é um caminho sem volta. O sentimento de pertença a uma “raça” – que aliás é frágil ou nulo no Brasil – se infiltra de tal maneira na vida social que passa a ser uma nova aspiração, como se viu na cena inaugural do índio de cocar exigindo cotas para outras minorias. Separar por força de lei é uma guinada fortíssima na nossa história e não me digam que não havia vozes discordantes com argumentos importantes, que nem sequer foram considerados, por serem de antemão definidos como hipócritas, reacionários, racistas e produzidos por “marginais”.
A decisão do STF no julgamento do dia 26 de abril de 2012 fará esta Corte entrar para a história como aquela que advogou pelo Estado Racial no País. Votando pela constitucionalidade do critério étnicoracial para a distribuição de direitos, os ministros inscreveram o nosso país no rol dos que separam legalmente os cidadãos em “raças” distintas rasgando a Constituição brasileira e a Carta da ONU. Esta onda era esperada e se estenderá por longos anos. O primeiro país, fora da África, a criticar oficialmente o apartheid da África do Sul em histórico pronunciamento do presidente Juscelino Kubitschek na década de 1950, acaba de se tornar um Estado de leis raciais.
                                                                              
                           
                                 Texto de Autoria de: YVONNE MAGGIE

Eusébio, essa política de cotas é um instrumento provisório, apenas visando a maior integralização da sociedade. Apenas até fazer essas minorias se fazerem representar em outras camadas sociais. Depois elas vão se extinguindo e tonando-se desnecessárias. Eles estão apenas mostrando as diferenças sociais,  garantindo formalmente, ou seja, na lei, uma diferença que já existe materialmente, ou seja, na vida concreta e real. Por que não se mostrar as diferenças sociais, quando essas diferenças são para beneficiar as minorias, tão prejudicada históricamente, nesse país? Reação a essas políticas de integração social é muito natural, mas isso ajuda a essas minorias terem mais visibilidade social, apenas isso. Garante alguns direitos dessas minorias que, se considerarmos abstratamente todos como iguais, na verdade, se camufla as discirminações reais do nosso cotidiano. É uma tentativa de democratizar mais essa sociedade perversa e discriminatória, no fim e a cabo de algum tempo. Só isso.

Se se resolver fazerem cotas para os índios, por entenderem que também são prejudicados, que o façam. Não vejo mal nenhum nisso. Mas os índios, infelizmente, foram, praticamente, exterminados, no nosso país. Os afro-descendentes são mais de 50% da nossa população - e a gente nem percebe, porque vivemos num meio em que eles quase nem tem acesso. É isso que acontece. O Brasil é o maior país, fora da África, com o maior contingente populacional de negros, no mundo. Convenhamos que alguma coisa tem que se fazer por essa parte da população. É só uma tentativa política de democratização social, mais nada. Mas reconheço que são questões que vão dar muito o que falar.
                                                    Talita. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

QUEM CUIDA DO CUIDADOR ?‏

As primeiras e mais ancestrais cuidadoras são nossas mães e avós que desde o início da humanidade cuidaram de sua prole. Caso contrário, não estaríamos aqui escrevendo sobre o cuidado.
Neste contexto queremos mencionar duas figuras, verdadeiros arquétipos do cuidado: o médico suíço Albert Schweitzer (1875-1965) e a enfermeira inglesa Florence Nightingale (1820-1910).
Albert Schweitzer era exímio exegeta bíblico e um dos maiores concertistas de Bach de seu tempo. Aos trinta anos já com fama em toda a Europa, largou tudo, estudou medicina para, no espírito das bem aventuranças de Jesus, cuidar dos mais pobres dos pobres (os hansenianos) em Lambaréné, no Gabão.
Numa de suas cartas confessa explicitamente: ”o que precisamos não é de missionários que queiram converter os africanos, mas de pessoas dispostas a fazer aos pobres o que deve ser feito, se é que o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuem algum valor. Minha vida não está nem na arte nem na ciência mas em ser um simples ser humano que no espírito de Jesus faz algo por insignificante que seja”. Foi dos primeiros a ganhar o Prêmio Nobel da Paz.
Por cerca de quarenta anos viveu e trabalhou num hospital por ele construído com o dinheiro de tournées de concertos de Bach. Nas poucas horas vagas, teve tempo para escrever vasta obra centrada na ética do cuidado e do respeito pela vida.
Formulou assim seu lema: “a ética é a responsabilidade ilimitada por tudo o que existe e vive”.
Numa outra obra assevera: ”a ideia chave do bem consiste em conservar a vida, desenvolvê-la e elevá-la ao mais alto valor; o mal consiste em destruir a vida, prejudicá-la e impedir que se desenvolva plenamente; este é o princípio necessário, universal e absoluto da ética”.
Outro arquétipo do cuidado foi a enfermeira inglesa Florence Nightingale. Humanista e profundamente religiosa, decidiu melhorar os padrões da enfermagem em seu país.
Em 1854, com outras 28 companheiras, Florence se deslocou para um campo de guerra na Turquia, durante a Guerra da Criméia, onde se empregavam bombas de fragmentação que produziam muitos feridos.
Aplicando no hospital militar a prática do rigoroso cuidado, em seis meses reduziu de 42% para 2% o número de mortos. Esse sucesso granjeou-lhe notoriedade universal.
De volta a seu país e depois nos EUA, criou uma rede hospitalar que aplicava o cuidado como eixo norteador da enfermagem e como sua ética natural. Florence Nightingale continua a ser uma referência inspiradora.
O operador da saúde é por essência um curador. Cuida dos outros como missão e como opção de vida. Mas quem cuida do cuidador, título de um belo livro do médico Dr. Eugênio Paes Campos (Vozes 2005)?
Partimos do fato de que o ser humano é, por sua natureza e essência, um ser de cuidado. Sente a predisposição de cuidar e a necessidade de ser ele também cuidado. Cuidar e ser cuidado são existenciais (estruturas permanentes) e indissociáveis.
É notório que o cuidar é muito exigente e pode levar o cuidador ao estresse. Especialmente se o cuidado constitui, como deve ser, não um ato esporádico mas uma atitude permanente e consciente.
Somos limitados, sujeitos ao cansaço e à vivência de pequenos fracassos e decepções.
Sentimo-nos sós. Precisamos ser cuidados, caso contrário, nossa vontade de cuidar se enfraquece. Que fazer então?
Logicamente, cada pessoa precisa enfrentar com sentido de resiliência (saber dar a volta por cima) esta situação dolorosa. Mas esse esforço não substitui o desejo de ser cuidado. É então que a comunidade do cuidado, os demais operadores de saúde, médicos e o corpo de enfermagem devem entrar em ação.
O enfermeiro ou a enfermeira, o médico e a médica sentem necessidade de serem também cuidados. Precisam se sentir acolhidos e revitalizados, exatamente como as mães fazem com seus filhos e filhas.
Outras vezes sentem necessidade do cuidado como suporte, sustentação e proteção, coisa que o pai proporciona a seus filhos e filhas.
Cria-se então o que o pediatra R. Winnicott chamava de “holding”, quer dizer, aquele conjunto de cuidados e fatores de animação que reforçam o estímulo para continuarem no cuidado para com pacientes.
Quando este espírito de cuidado reina, surgem relações horizontais de confiança e de mútua cooperação, se superam os constrangimentos, nascidos da necessidade de ser cuidado.
Feliz é o hospital e mais felizes são ainda aqueles pacientes que podem contar com um grupo de cuidadores. Já não haverá “prescrevedores” de receitas e aplicadores de fórmulas mas “cuidadores” de vidas enfermas que buscam saúde. A boa energia que se irradia do cuidado corrobora na cura.
Leonardo Boff é teólogo e filósofo