quinta-feira, 13 de setembro de 2012

PECADO DA GULA




Texto escrito por Luiz Magalhães

       Diz o ditado popular que o peixe morre pela boca. O homem também, se alguém duvida, embora mais lentamente que os peixes. Não foi à toa que Moisés estabeleceu leis alimentares rigorosas para os judeus classificando os alimentos em puros e impuros ou imundos. A igreja católica também deu sua colaboração incluindo a gula entre os sete pecados capitais, numa época de pouca fartura, em que a máxima para a plebe era: “Em tempo de pouca farinha, o primeiro pirão é meu.” Dessa forma, combatia-se um terrível vício da nobreza, e de sobra, colaborava-se com a economia de mercado.
       A fisiologia e a medicina não chegam às conclusões definitivas porque são ciências conjunturais, não tendo nada com os princípios das coisas, só lhes importando os fenômenos e as suas causas imediatas, buscando amparo nas estatísticas, já que a metodologia científica só funciona para as ciências chamadas exatas. A vida, a morte, as origens, os fins continuam como mistérios só interessando aos religiosos e indecifráveis até o momento.  Causas primeiras com que não têm nada a fazer. Absolutamente nada. Dessa forma, alimento para uns é remédio, para outros é veneno. Dietas de longevidade, as mais estapafúrdias são estabelecidas e os resultados são duvidosos,
       No budismo, qualquer alimento de origem animal deve ser evitado. É um crime ambiental como apregoam seus fiéis seguidores. Para nós carnívoros, essa história de comer apenas coisas verdes, é dieta para bovinos, eqüinos e caprinos. Quem há de resistir a um pernil de javali assado? E um leitãozinho à pururuca? E um salmão defumado? E uma rabada com polenta e agrião?
       Os franceses abusam impunemente das gorduras animais e apresentam baixas taxas de colesterol. Atribuem ao vinho à virtude de manter sob controle o mau colesterol devido ao efeito mata-borrão dos flavonóides.
       Segundo notícias recentes, bioquímicos norte-americanos afirmaram que o arroz e o trigo são os responsáveis pelo entupimento das coronárias causando enfarte do miocárdio. Provavelmente, tudo não passa de uma jogada de marketing para quebrar num efeito dominó a China, Japão e Coréia do Norte.
       Enquanto os cientistas não chegam a uma conclusão, vamos nós abusando desses fatores de risco, porque viver cem anos como faquir e apenas cinqüenta com o céu na boca, a segunda alternativa é assaz interessante.
       Foi assim que, nosso pai, depois de um generoso almoço caseiro, se viu convidado para degustar num ajantarado de domingo, uma leitoa tostada e crocante, há algum tempo prometida, preparada pelas mãos mágicas da Dona Dolores, digníssima esposa do Nico, lá do armazém da Rua do Príncipe.
       Não se fez de rogado ao primeiro naco suculento de lombo que lhe foi servido, deglutido com avidez e sem cerimônias para orgulho da prestimosa artesã gastronômica. Já empanturrado, agradeceu a cortesia deitando elogios aos temperos, vinagrete, ervas finas aromáticas e rodelas de maçã que adornavam a iguaria. Sem pestanejar, jubilosa da sua arte, Dona Dolores manejando com maestria o afiado cutelo lanhou com profundidade o pernil traseiro trazendo na ponta do espeto de prata lauta fatia colocada no prato de tão ilustre convidado. Foi aí que, o Dr. Gastou amarelou. Nem teve tempo de recusar e agradecer a tão gesto nobre da garbosa senhora. Desapertou o cinto, respirou profundo, com a vista já escurecendo aos sintomas de fastio, e após muito esforço conseguiu arrematar com garfadas vigorosas sem deixar sobras no prato um vestígio sequer do que fora outrora uma parcela suculenta da esposa do senhor Leitão.
       Entusiasmada com o apetite estimado comensal, Dona Dólares em novo golpe magistral, retalhou a parte mais nobre do lombo, a picanha, umedecendo-a em caldo gordo do tabuleiro de alumínio, com o braço estendido em atitude de gentileza em direção ao prato do visitante, agora apoplético, olhar esbugalhado, entupido até a altura do esôfago, mãos estendidas para a frente num gesto de defesa, balbuciando num último esforço, com ânsias de vômito:
       - Por favor, Dona Leitoa! Estou muito satisfeito, Dona Leitoa! Muito obrigado pelo almoço, Dona Leitoa!



           



      

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

As Duas Pulgas






Escrito por Max Gehringer  (Jundiaí, 1949) - administrador de empresas e escritor, autor de diversos livros sobre carreiras e gestão empresarial.

Duas pulgas diretoras estavam conversando e então uma comentou com a outra:
- Sabe qual é o nosso problema?
Nós não voamos, só sabemos saltar.
Daí nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas pelo cachorro é zero.
É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas.
Elas então decidiram contratar uma mosca para treinar todas as pulgas a voar e entraram num programa de treinamento de vôo e saíram voando.
Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra:
- Quer saber? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro e nosso tempo de reação é bem menor do que a velocidade da coçada dele.
Temos de aprender a fazer como as abelhas, que sugam o néctar e levantam vôo rapidamente.
Elas então contrataram uma abelha para lhes ensinar a técnica do chega-suga-voa.
Funcionou, mas não resolveu.
A primeira pulga explicou por quê:
- Nossa bolsa para armazenar sangue é pequena, por isso temos de ficar muito tempo sugando.
Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando direito.
Temos de aprender como os pernilongos fazem para se alimentar com aquela rapidez.
E então um pernilongo lhes prestou treinamento para incrementar o tamanho do abdômen.
Resolvido, mas por poucos minutos.
Como tinham ficado maiores, a aproximação delas era facilmente percebida pelo cachorro, e elas eram espantadas antes mesmo de pousar.
Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha, que lhes perguntou:
- Ué, vocês estão enormes! Fizeram plásticas?
- Não, entramos num longo programa de treinamento. Agora somos pulgas adaptadas aos desafios do século XXI. Voamos, picamos e podemos armazenar mais alimento.
- E por que é que estão com cara de famintas?
- Isso é temporário. Já estamos fazendo treinamento com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar de modo a perceber, com antecedência, a vinda da pata do cachorro. E você?
- Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sadia.
Mas as pulgonas não quiseram dar a pata a torcer, e perguntaram à pulguinha:
- Mas você não está preocupada com o futuro?
Não pensou em um programa de treinamento, em uma reengenharia?
- Quem disse que não? Contratei uma lesma como consultora.
- Mas o que as lesmas têm a ver com pulgas, quiseram saber as pulgonas.
- Tudo. Eu tinha o mesmo problema que vocês duas. Mas, em vez de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse a situação e me sugerisse a melhor solução.
E ela passou três dias ali, quietinha, só observando o cachorro e então ela me disse:
“Não mude nada. Apenas sente na nuca do cachorro. É o único lugar que a pata dele não alcança.”
Moral da história:
Você não deve focar no problema e sim na solução.
Para ser mais eficiente é necessário estudar, analisar e não falar.
Muitas vezes, a GRANDE MUDANÇA é uma simples questão de reposicionamento, execução e praticidade.
Não queira complicar, seja prático e objetivo.



sábado, 1 de setembro de 2012

Arrumem um (a) Amante


                        Contribuição de Talita Batista

Divirtam-se com  seus /suas AMANTES!!!

Texto escrito por Jorge Bucay – Psicodramatista, escritor argentino e Gestalt-terapeuta nascido em Buenos Aires em 1949 em uma família modesta no bairro da Floresta, ele se formou como médico em 1973 na Universidade de Buenos Aires, especializado em doenças mentais no serviço de ligação do hospital Pirovano, de Buenos Aires e da clínica Santa Mônica. É psicoterapeuta de casais e adultos e atualmente, seu trabalho como ajuda profissional, como ele define, é dividido entre as suas conferências de ensino terapêutico, que emite vários anos viajando pelo mundo, e da divulgação de seus livros em ferramentas terapêuticas do autor.

Quem é o seu amante?
Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um.
Há também as que não têm, e as que tinham e perderam.
Geralmente, são essas últimas que vêm ao meu consultório, para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc.
Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver
e que não sabem como ocupar seu tempo livre.
Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.
Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: “Depressão”, além da inevitável receita do antidepressivo do momento.
Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum antidepressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!!!
É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.
Há as que pensam:
“Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas”?
Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.
Para aquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte:
AMANTE é aquilo que nos apaixona; é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono; é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.
O nosso “AMANTE ” é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta.
É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso ”AMANTE” em nosso parceiro.
Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto…
Enfim, é “alguém” ou “algo” que nos faz “namorar a vida” e nos afasta do triste destino de ir levando.
E o que é “ir levando”?
Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.
Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje,  fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contente com “ir levando”… Seja também um amante e um protagonista DA SUA VIDA!

Acredite:
O trágico não é morrer; afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém.
O trágico é desistir de viver…
Por isso, e sem mais delongas, procure algo para amar…
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:
PARA  ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Surpresa BRASILHA DA FANTASIA

Surpresa na maternidade

BUSCAS



                                                                        Meus 15 anos

BUSCA (I)

TROPEÇO NAS PEDRAS
ESBARRO NAS CERCAS ME PERCO NOS CAMINHOS DO TENTAR SER
BUSCO. O QUÊ?


BUSCA (II)

PODE SER QUE TU
NA FÉ DO MEU AMOR
ESQUEÇA QUE EU JÁ VIVIA
ANTES DE TUCHEGARES.
PODE SER QUE TU NÃO SAIBA
O QUANTO AMEI,
NEM QUANTAS VEZES AMEI,
ANTES DE TU ME AMARES.
PODE SER TAMBÉ
QUE TU NÃO SAIBAS
QUE JÁ ME FRAGMENTEI EM MIL PEDAÇOS,
COM OS OLHOS FECHADOS
TORCENDO AS MÃOS
PEDINDO A DEUS
QUE O AMOR
NÃO SE NEGASSE
A RENASCER UM DIA.

PODE SER QUE TU AO RENASCERES EM MIM
AGORA SINTAS QUE O AMOR CHEGOU
E QUE TE CHAMA EM CADA PULSAÇÃO.
MAS PODE SER QUE UM DIA
NEM VEJAS EM MEU AMOR
O TEU MOTIVO DE ALEGRIA
A TE ESTENDER A MÃO.
E PODE SER QUE TU
NA FÉ DO MEU AMOR ESQUEÇAS
QUE APESAR DE TI CONTINUAREI VIVENDO.

E, CERTAMENTE AMAREI OUTRA FLOR,
OU OUTRO ESPINHO DO CAMINHO QUE ME RESTAR
...SE EU ME PERDER DE TI!

LÚCIA MARINA GALVÃO DE QUEIRÓS
06/07/1989

                                                                  Meus 60 anos


sábado, 25 de agosto de 2012

AFINAL, QUEM É O ANIMAL?

                                            
         FONTE: INTERNET- (ENVIADO POR LUCIA MARINA)
                                              
DURANTE UMA TOURADA, O TOUREIRO SENTIU-SE MAL, TEVE TONTURAS E PRECISOU SENTAR-SE.
ANTES QUE ALGUÉM INTERFERISSE , O TOURO, QUE ESTAVA SENDO AGREDIDO PELO TOUREIRO
NESSE HORRÍVEL  ESPETÁCULO, APIEDOU-SE DO HOMEM, PAROU DIANTE DELE
E PARA SURPRESA GERAL, SIMPLESMENTE FICOU A OLHAR PARA ELE
.
O TOURO, COMO QUE SENTINDO O PROBLEMA, FOI SOLIDÁRIO E FICOU AO LADO DESSE HOMEM,
SEM NENHUMA REAÇÃO DE VIOLÊNCIA.
NORMALMENTE UM SER HUMANO, NUMA SITUAÇÃO DESSAS TERIA REAGIDO DE FORMA DIFERENTE.
OBSERVE QUE O ANIMAL JÁ TINHA RECEBIDO DIVERSOS ESPETOS NO SEU DORSO.
SERÁ MESMO QUE OS ANIMAIS (OS BICHOS) É QUE SÃO IRRACIONAIS?
 
    AFINAL, QUEM É O ANIMAL?????????